Tuesday, 06 de May de 2008 - 20:52

O céu branco acena
Com seu cinza limitado
Correndo e dissolvendo-se
Entre os postes.

O efeito o aperta -
Pega e o chacoalha os ombros.
Escorrega pela garganta
Matando a sede e a si mesmo.

Encherga-se os pregos
Se desenterrando na costas
Do martelo.

Estar no hospital é sereno,
Como sereno e cinzas.
Uma grávida te olha
Com pena.

A perna branca fora do xadrez
Te cumprimenta com pesar.
Você a deixa,
Mergulhando no sono.

Seu suco laranja transborda,
Você acorda.
Suas enfermeiras e médicos
Te constroem minuciosamente.

Tendo cuidados com as linhas -
Podres -
Presas no nervo da mandíbula.
Morde-se como borracha.

Comendo-se,
Canibal.
Deitando-se
No porta-malas do taxi.

Junto com suas malas.

Olhando o céu,
Já azul.
Ás 14h ou ás 18h.

É desconhecido.



Por Heloisa Cvilikas

Wednesday, 09 de April de 2008 - 15:22

As bordas errantes
Dos papéis rasgados.
As borlas dançantes
Na cadeira quadrada.

Artefato antigo,
Que aspiro
Me tranformar
Depois de pó.

Impotente como mãe,
Grávida descalça,
Lançada por entre
As não-alternativas.

Diante do trapiche,
Da estatua majestosa.
Sou apenas carne.

Minhas mãos não o alcançam.

Sabendo do triunfo
Abastado,
Me curvo colérica
Pela dor nas costas.



Por Heloisa Cvilikas

Friday, 04 de April de 2008 - 22:20

Fade In

Frio da manhã.
Amarelo pus.
Branco seda.

Os ornamentos dourados
Seguem levando
A estrada no bolso.

As árvores -
Penas de corvo.
Cantos dos invisíveis.

Fendas azuis;
Blocos de cimento
Fechando-se sobre os bancos.

O chão voa
Estalando os pés -
Descalços.

Piano.

As mãos;
Luz rosa
Cortando ventos.
Sombra do arco-íris.
O chacoalhar verde
Das acácias.

A terra engole
O sol.
Enche-se.

O arrepio
Do horror
Nos rostos adoráveis.

Fade Out



Por Heloisa Cvilikas

Tuesday, 25 de March de 2008 - 22:43

Cigarros e areia de praia
O porto está livre hoje.
Os piratas de festas temáticas
Vivem mais no navio
Do que no mar.

O doce gosto de limão,
Os respingos no meu vestido.
A tranqüilidade supera
O ácido senso de humor.

Tão acido como vodka
Num intumescente Sex on the Beach.
Você respira e cai
Com as cicatrizes na água salgada.

Mas lamuriantes são as árvores,
Chorando por trás dos vidros.
Dizem: “Adeus!”
“Volte mas não fique.”



Por Heloisa Cvilikas

Wednesday, 12 de March de 2008 - 22:30

Tic-Tac
Tic-Tac
O relógio estremece,
Invisível.

Estou no banco
Da montanha-russa.
Não posso desistir.
Presciso me segurar.

O ar - Fumaça -
Entra pelo nariz,
É expulso,
É um mal inquilino.

Eu me deito no azul
E vejo a fumaça rodopiar,
Formando cisnes.

Não estou triste
Nem feliz.
Eu só observo;
Sou um verme.

Eu vejo o sono chegar -
Melancólico.
Azul marinho -
Universo.

As opções se esgotaram.
A areia está caindo.
A manhã está chegando -
Eu a odeio.

Estou cega como passarinho.
Tenho o coração oco - de vidro.
Os nós no meu pescoço arrebentaram,
Estou livre.

Andando até o escuro,
Vendo as pessoas estúpidas,
Seus chapéus vermelhos.

Em direção ao leito;
Branco, Bordeaux.
Eu respiro e caio
Em direção ao sono final.



Por Heloisa Cvilikas