O céu branco acena
Com seu cinza limitado
Correndo e dissolvendo-se
Entre os postes.
O efeito o aperta -
Pega e o chacoalha os ombros.
Escorrega pela garganta
Matando a sede e a si mesmo.
Encherga-se os pregos
Se desenterrando na costas
Do martelo.
Estar no hospital é sereno,
Como sereno e cinzas.
Uma grávida te olha
Com pena.
A perna branca fora do xadrez
Te cumprimenta com pesar.
Você a deixa,
Mergulhando no sono.
Seu suco laranja transborda,
Você acorda.
Suas enfermeiras e médicos
Te constroem minuciosamente.
Tendo cuidados com as linhas -
Podres -
Presas no nervo da mandíbula.
Morde-se como borracha.
Comendo-se,
Canibal.
Deitando-se
No porta-malas do taxi.
Junto com suas malas.
Olhando o céu,
Já azul.
Ás 14h ou ás 18h.
É desconhecido.
As bordas errantes
Dos papéis rasgados.
As borlas dançantes
Na cadeira quadrada.
Artefato antigo,
Que aspiro
Me tranformar
Depois de pó.
Impotente como mãe,
Grávida descalça,
Lançada por entre
As não-alternativas.
Diante do trapiche,
Da estatua majestosa.
Sou apenas carne.
Minhas mãos não o alcançam.
Sabendo do triunfo
Abastado,
Me curvo colérica
Pela dor nas costas.
Fade In
Frio da manhã.
Amarelo pus.
Branco seda.
Os ornamentos dourados
Seguem levando
A estrada no bolso.
As árvores -
Penas de corvo.
Cantos dos invisíveis.
Fendas azuis;
Blocos de cimento
Fechando-se sobre os bancos.
O chão voa
Estalando os pés -
Descalços.
Piano.
As mãos;
Luz rosa
Cortando ventos.
Sombra do arco-íris.
O chacoalhar verde
Das acácias.
A terra engole
O sol.
Enche-se.
O arrepio
Do horror
Nos rostos adoráveis.
Fade Out
Cigarros e areia de praia
O porto está livre hoje.
Os piratas de festas temáticas
Vivem mais no navio
Do que no mar.
O doce gosto de limão,
Os respingos no meu vestido.
A tranqüilidade supera
O ácido senso de humor.
Tão acido como vodka
Num intumescente Sex on the Beach.
Você respira e cai
Com as cicatrizes na água salgada.
Mas lamuriantes são as árvores,
Chorando por trás dos vidros.
Dizem: “Adeus!”
“Volte mas não fique.”
Tic-Tac
Tic-Tac
O relógio estremece,
Invisível.
Estou no banco
Da montanha-russa.
Não posso desistir.
Presciso me segurar.
O ar - Fumaça -
Entra pelo nariz,
É expulso,
É um mal inquilino.
Eu me deito no azul
E vejo a fumaça rodopiar,
Formando cisnes.
Não estou triste
Nem feliz.
Eu só observo;
Sou um verme.
Eu vejo o sono chegar -
Melancólico.
Azul marinho -
Universo.
As opções se esgotaram.
A areia está caindo.
A manhã está chegando -
Eu a odeio.
Estou cega como passarinho.
Tenho o coração oco - de vidro.
Os nós no meu pescoço arrebentaram,
Estou livre.
Andando até o escuro,
Vendo as pessoas estúpidas,
Seus chapéus vermelhos.
Em direção ao leito;
Branco, Bordeaux.
Eu respiro e caio
Em direção ao sono final.